EEnfoco.
Ibovespa 205.172 pts ▲0,41% PETR4 R$ 59,22 ▲3,24% VALE3 R$ 66,24 ▼0,27% ITUB4 R$ 48,19 ▼0,33% BBDC4 R$ 20,40 ▼1,59% BBAS3 R$ 23,57 ▼0,80% WEGE3 R$ 48,01 ▼2,20% SUZB3 R$ 43,06 ▲1,56% ABEV3 R$ 16,78 ▲0,54% B3SA3 R$ 22,16 ▼0,27%

Sentinela mapeia 13 mil ataques a candidaturas LGBT+ no Instagram

Levantamento do Instituto Plena Cidadania analisou mais de 1 milhão de interações e aponta coordenação e concentração dos ataques em poucos perfis.

Redação Enfoco•
Sentinela mapeia 13 mil ataques a candidaturas LGBT+ no Instagram
Foto Agência Brasil/EBC, licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil

Uma ferramenta de monitoramento identificou 13 mil comentários ofensivos com alvo definido em contas de candidaturas LGBT+ no Instagram. O número saiu de uma varredura que passou por mais de 1 milhão de interações.

O trabalho é da plataforma Sentinela, criada pelo Instituto Plena Cidadania (IPC), o mesmo grupo responsável pelo VoteLGBT. A ferramenta reúne coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa para separar o que é crítica política comum do que é agressão dirigida.

O que os números mostram

Dentro do universo maior de interações, a plataforma examinou em detalhe 307.185 comentários. Foi nesse recorte que apareceram as 13 mil ocorrências consideradas ataques com alvo claro.

Os responsáveis se espalham por mais de 11 mil contas diferentes. Mas o estudo chama atenção para um ponto: boa parte da agressividade vem de poucos perfis muito ativos.

  • 224 contas concentraram sozinhas 1.718 comentários ofensivos.
  • A dispersão aparente convive com indícios de ação coordenada.
  • O grosso das agressões tem endereço certo: mulheres e pessoas negras.

Entre as candidaturas atacadas, 92,7% das ofensas atingiram mulheres LGBT+ e 83,6% foram dirigidas a pessoas negras LGBT+. O padrão reforça o que outras pesquisas já vêm apontando sobre como a violência muda a rotina das mulheres por medo, agora transposto para o ambiente da disputa eleitoral.

Medidas já tomadas

O IPC não ficou só no diagnóstico. Em 23 de setembro, o instituto protocolou notícia-crime contra três candidatos a deputado federal por ataques discriminatórios.

Não há número divulgado até agora sobre quantas das 13 mil ocorrências resultaram em processo ou em remoção de conteúdo pelas plataformas. O instituto também não detalhou quantas candidaturas LGBT+ foram acompanhadas ao todo.

Como quem é alvo pode pedir ajuda

Candidaturas e lideranças políticas LGBT+ que estejam sofrendo ataques podem relatar os casos diretamente ao canal da Sentinela. O contato pode ser feito por mensagem no inbox ou por e-mail.

Além do registro das ofensas, a estrutura oferece apoio emocional. O serviço se chama Cuida Mais e disponibiliza sessões de terapia gratuitas e sigilosas para quem foi atingido.

A combinação entre denúncia e acolhimento é o que diferencia a proposta de um simples relatório. A ideia é que o alvo da agressão tenha, ao mesmo tempo, um caminho jurídico e um suporte psicológico.

Próximos passos

O instituto estuda levar o monitoramento para fora do país. A expansão prevista mira Argentina e México em 2027.

Se concretizada, a ampliação transformaria uma iniciativa nacional em um observatório regional sobre violência política contra pessoas LGBT+ nas redes sociais. A metodologia já testada no Brasil serviria de base para os outros países.

Por enquanto, o foco segue no cenário brasileiro, onde a concentração de ataques em poucos perfis sugere que o combate pode ser mais eficiente se mirar os pontos de maior atividade, em vez de tratar cada comentário como um episódio isolado.

Fonte: Instituto Plena Cidadania (IPC) / Plataforma Sentinela

Leia também