98% das mulheres mudam a rotina por medo da violência, mostra pesquisa
Levantamento dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva mostra que 45% deixaram de aproveitar oportunidade de trabalho ou estudo e 44% pensaram em mudar de cidade.

Quase todas as mulheres brasileiras organizam o próprio dia em função do risco de sofrer violência. É o que mostra a pesquisa "Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência", dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva.
98% adotam alguma estratégia para reduzir riscos no dia a dia. E 78% afirmam já ter sofrido ao menos um tipo de violência.
O que elas deixam de fazer
| Estratégia adotada | Percentual |
|---|---|
| Evitam determinados locais | 90% |
| Evitam compartilhar informação pessoal em rede social | 88% |
| Evitam usar o celular na rua | 84% |
| Avisam alguém sobre os próprios deslocamentos | 83% |
| Mudaram hábitos de lazer | 62% |
| Deixaram de aproveitar oportunidade de trabalho ou estudo | 45% |
| Pensaram em mudar de bairro ou cidade | 44% |
Os dois últimos números são os que mais escapam do debate público. Eles mostram que o medo não apenas restringe o lazer: ele tira oportunidade econômica. Recusar um turno da noite, um curso distante ou uma vaga em outro bairro tem efeito direto sobre renda e carreira.
O medo, por onde ele passa
- 94% se sentem inseguras diante da violência cotidiana
- 94% têm medo da violência no deslocamento pela cidade
- 60% temem violência doméstica
O deslocamento aparece empatado com o medo geral, o que coloca transporte e iluminação pública no centro da discussão de segurança, não como tema secundário.
Como a pesquisa foi feita
Foram ouvidas 1.500 pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre 22 e 30 de abril de 2026, por entrevista digital. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. O levantamento teve apoio da Uber.
Onde buscar ajuda
- Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, gratuito e 24 horas, também para denúncia anônima
- 190, em situação de emergência
- Delegacia da Mulher, presencial, ou delegacia eletrônica do estado
- Medida protetiva de urgência pode ser pedida na delegacia ou diretamente ao juiz, sem necessidade de advogado
A Lei Maria da Penha prevê afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação e de contato, entre outras medidas, com decisão em até 48 horas do pedido.


