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Microsoft detecta phishing que instala MSP360 e abre segundo acesso remoto com ScreenConnect

Golpe distribui instalador legítimo e assinado do MSP360 disfarçado de convite de reunião e cria dois canais de controle remoto no computador da vítima.

Redação Enfoco•
Microsoft detecta phishing que instala MSP360 e abre segundo acesso remoto com ScreenConnect
Foto Isochrone, Wikimedia Foundation, Philip Metschan, BY-SA 4.0, via wikimedia

A Microsoft identificou em julho de 2026 uma campanha de phishing que engana usuários para instalar uma ferramenta de administração remota legítima e, a partir dela, monta um segundo canal de acesso ao computador invadido.

O golpe usa um instalador verdadeiro e assinado do MSP360 RMM, versão v2.5.0.67, disfarçado de convite de reunião, atualização de software e outras iscas de engenharia social. Depois de ativo, esse programa baixa e instala o ConnectWise ScreenConnect, dando aos atacantes dois caminhos de controle remoto sobre o mesmo aparelho.

Por que isso importa para quem está no Brasil

Ferramentas de RMM (sigla em inglês para monitoramento e gerenciamento remoto) são usadas no dia a dia por prestadoras de suporte técnico e empresas de TI no país, inclusive no atendimento a pequenas e médias empresas. MSP360 e ScreenConnect estão nesse grupo.

O risco é que a campanha não depende de um alvo específico. As iscas são genéricas: convites de reunião, supostas atualizações do Adobe Reader, cartões virtuais e notificações que imitam órgãos públicos. Uma das iscas identificadas usava o nome de uma agência americana, a SSA.GOV, mas o formato pode ser adaptado para qualquer público.

Os arquivos maliciosos também foram hospedados em serviços de nuvem populares e confiáveis, o que ajuda a driblar a desconfiança do usuário. Entre eles:

  • Amazon S3
  • Cloudflare R2
  • Dropbox
  • GitLab
  • Supabase

Como esses endereços são legítimos, um link vindo deles não levanta suspeita imediata. É o mesmo princípio de outros golpes recentes, como a clonagem de conta por meio do código de seis dígitos do WhatsApp: o ataque se apoia em algo que a vítima já reconhece como confiável.

Como o ataque funciona por dentro

O ponto mais delicado é que não há falha de software envolvida. A Microsoft afirma que não houve exploração de vulnerabilidade no ScreenConnect. Os criminosos simplesmente abusam de programas legítimos, de empresa real e com assinatura digital válida.

Por isso, o fato de um arquivo estar assinado por um fornecedor conhecido como o MSP360 não garante que ele seja seguro. A assinatura confirma a origem do programa, não a intenção de quem o enviou.

Depois de instalado, o agente do MSP360 abre uma porta no firewall do Windows para liberar seu próprio tráfego: a porta UDP 48678. Esse detalhe serve de pista para administradores que monitoram a rede.

A Microsoft observou ainda um conjunto separado de ataques, também em julho de 2026, em que o Faronics Deploy Agent foi usado no lugar do MSP360, com a mesma lógica de abuso de ferramenta legítima.

Até o momento, a atividade não foi atribuída a nenhum grupo ou ator de ameaça conhecido.

O que usuários e equipes de TI devem fazer

Para o usuário comum, a regra é desconfiar de qualquer arquivo executável recebido por e-mail, mesmo quando o remetente parece oficial e o programa aparenta ser legítimo.

  • Não execute instaladores enviados como convite de reunião, atualização ou notificação de órgão governamental.
  • Confirme por outro canal se a mensagem realmente partiu de quem diz ser.
  • Lembre que arquivo assinado digitalmente não significa arquivo confiável no contexto errado.

Para equipes de TI, a recomendação é olhar para dentro da própria rede:

  • Monitorar instalações não autorizadas de ferramentas de RMM.
  • Restringir softwares de administração remota que não estejam na lista de aprovados.
  • Investigar a abertura da porta UDP 48678 e a presença inesperada de MSP360 ou ScreenConnect em máquinas que não deveriam tê-los.

Quem administra estações Windows pode ainda reforçar o controle sobre o que roda e o que é acessado nos aparelhos, como mostra o guia sobre bloqueio de acesso a sites e os limites desse filtro no sistema.

Não há número divulgado de quantas organizações ou países foram atingidos, nem confirmação de alvos específicos no Brasil. Ainda assim, o modelo do ataque, baseado em ferramentas comuns e em nuvens populares, mantém o alerta válido para qualquer rede corporativa que use suporte remoto.

Fonte: Microsoft Security Blog (Microsoft Defender Experts)

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