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Marco legal da inteligência artificial segue parado na Câmara e o adiamento já dura um ano

Texto foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e chegou à Câmara em março de 2025. A comissão especial fez 12 audiências públicas e a votação, prevista para o fim de 2025, foi empurrada para 2026.

Redação Enfoco•
Marco legal da inteligência artificial segue parado na Câmara e o adiamento já dura um ano
Foto Wesley Fryer, CC BY 2.0, via Openverse

O projeto que cria o marco legal da inteligência artificial no Brasil, o PL 2338/2023, continua sem votação na Câmara dos Deputados. Até a publicação desta reportagem, o texto seguia pendente na comissão especial criada para analisá-lo.

A linha do tempo

QuandoO que aconteceu
Dezembro de 2024Senado aprova o texto em votação simbólica
Março de 2025Projeto chega à Câmara dos Deputados
2025Criada comissão especial, presidida pela deputada Luísa Canziani, com relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro
Maio a setembro de 2025Comissão realiza 12 audiências públicas
Fim de 2025Votação prevista é adiada para 2026

O adiamento foi decidido em acordo entre as presidências da Câmara e do Senado, diante da falta de consenso sobre pontos considerados sensíveis.

O que está em jogo

O projeto trata de temas que afetam desde a empresa que usa IA no atendimento até o cidadão que tem uma decisão automatizada tomada sobre ele:

Classificação por risco. A lógica do texto separa os usos de IA por nível de risco, com obrigações proporcionais. Sistema de alto risco, como o usado em crédito, seleção de emprego ou segurança pública, teria exigências maiores de transparência e supervisão humana.

Direito de explicação. Quem é afetado por uma decisão automatizada poderia exigir entender os critérios e contestar o resultado.

Direito autoral. O uso de obras protegidas para treinar modelos é um dos pontos mais disputados, com artistas e produtores de conteúdo de um lado e empresas de tecnologia de outro.

Responsabilidade civil. Quem responde quando o sistema erra: o desenvolvedor, quem implantou ou quem operou.

Por que trava

O impasse central é o mesmo visto em outros países: regular cedo demais pode travar desenvolvimento, regular tarde demais deixa o cidadão desprotegido enquanto a tecnologia se espalha.

No Brasil, a discussão ainda esbarra em disputas setoriais concretas, especialmente sobre remuneração de conteúdo usado em treinamento e sobre o alcance das obrigações para empresas menores.

O que vale hoje, na ausência da lei

Enquanto o marco não é votado, o uso de IA no país é regido por normas existentes que já alcançam parte do problema:

  • A Lei Geral de Proteção de Dados trata do uso de dado pessoal em treinamento e em decisão automatizada, incluindo o direito de revisão
  • O Código de Defesa do Consumidor alcança serviço prestado por sistema automatizado
  • As regras setoriais de banco central, saúde e publicidade já limitam usos específicos

Ou seja, ausência de marco legal não significa ausência de regra. Significa regra espalhada, com lacuna nos pontos que o projeto pretende endereçar.

Fonte: Câmara dos Deputados, PL 2338/2023

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