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Jato azul partindo da Terra rumo ao espaço: o que a ciência explica sobre o fenômeno

Registrado por um instrumento acoplado à Estação Espacial Internacional e descrito na revista Nature, o blue jet é uma descarga elétrica que sobe do topo das tempestades e já foi confundida com aparição sobrenatural.

Redação Enfoco• •atualizado em 15 de setembro de 2026
Jato azul partindo da Terra rumo ao espaço: o que a ciência explica sobre o fenômeno
Foto NASA/Nichole Ayers, Public domain, via Wikimedia Commons

Esta página faz parte do arquivo do Enfoco Notícias. O registro original é de 19 de fevereiro de 2021 e o texto foi reescrito e reapurado pela redação em 15 de setembro de 2026.

A revista científica Nature publicou a descrição de um fenômeno raro observado a partir da Estação Espacial Internacional: um jato azul partindo do topo de uma nuvem de tempestade em direção ao espaço. O registro foi feito pelo Monitor Europeu de Interações Atmosféricas Espaciais, o ASIM, instrumento instalado na estação, e ocorreu sobre a região da ilha de Naru, no Oceano Pacífico.

O evento pertence a uma família de ocorrências chamadas de eventos luminosos transientes, conhecidas pela sigla TLE.

O que é um blue jet

"Um blue jet é um tipo raro de evento luminoso transiente, também chamado de TLE. Eles ocorrem acima das nuvens de tempestade e seus estudos eram basicamente limitados a especulações acerca de alguns relatos até o final do século XX. Esse fenômeno ocorre a partir de uma intensa descarga elétrica que parte do topo das nuvens de tempestade e vai até o limite da mesosfera, cerca de 95 quilômetros de altitude", explicou à época Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia, membro da Sociedade Astronômica Brasileira e diretor técnico da Bramon, a Rede Brasileira de Observação de Meteoros.

Diferente do raio comum, que desce da nuvem para o solo, o jato azul sobe. A coloração vem da interação da descarga elétrica com o nitrogênio presente nas camadas mais altas da atmosfera.

De fantasma a objeto de estudo

Antes de ser documentado por instrumentos, o fenômeno rendeu relatos que a ciência tratou com desconfiança por décadas.

"Em certa altura o blue jet pode produzir um flash de luz que assume formatos variados, como simples colunas de luz ou até mesmo o formato de um pé de cenoura ou de uma fada. E não é à toa que várias pessoas que visualizaram esse fenômeno o associavam com fenômenos sobrenaturais, como a visualização de fantasmas ou até mesmo de óvnis", afirmou Zurita.

O astrônomo lembra que o tipo mais comum de TLE recebeu o nome de sprite, referência a um ser do folclore europeu associado ao ar. Entre as explicações consideradas na época estava a de que se tratava apenas de ilusão de ótica, e havia quem questionasse a sanidade de quem relatava ter visto.

Por que o registro importa

Observações feitas do solo esbarram em um obstáculo simples: a própria nuvem de tempestade bloqueia a visão do que acontece acima dela. Instrumentos em órbita olham o fenômeno de cima, sem essa barreira, o que permite medir duração, altitude e intensidade com precisão que os relatos visuais nunca ofereceram.

O estudo desse tipo de descarga ajuda a entender como a eletricidade das tempestades interage com as camadas altas da atmosfera, região que também abriga a ionosfera, faixa usada por sinais de comunicação de longa distância.

Fonte: Nature

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